16.03.2018, 16:43:17 / #wsf2018

Três rostos desde Salvador

Von Peter Steiniger
O cacique Ramon pertence à tribo indígena Tupimamba. Veio de Ilhéus, no sul da Bahia para a que foi a primeira capital do Brasil brigar pelos direitos dos indígenas: “Quero tornar visível que existimos e que continuamos a resistir.”
Roseni de Ozneira segura em Salvador a bandeira do sindicato dos trabalhadores da Universidade do Rio de Janeiro, resistir. Vê, no Rio, a intervenção militar como um ato de aumento da repressão contra os pobres e como um ato de vingança de Temer e seus pares.
Vinda especialmente de Zurique para Salvador, a brasileira Thais Aguiar Zeller, que mora na Suíça. Ela é ativista no Coletivo Taoca (taoca.info), que divulga na Europa filmes do seu país sobre artistas políticos, sociais e grupos de direitos humanos.
Um jornal marxista-leninista mais um abraço ...

Uma viagem de cidade para cidade no Brasil pode ser o equivalente a atravessar um continente. Vieram de todos os lugares para a capital da Bahia. Sozinhos e em grupos, de ônibus, avião ou partilhando carros. Não foram poucos os que se deslocaram mais de mil quilómetros para poderem estar presentes no Festival da Resistência Global .

Terça-feira é feriado para todos. O Fórum Social Mundial é inaugurado com uma grande manifestação pela cidade. Alguns milhares já se reúnem à hora anunciada, às três da tarde, no Largo do Campo Grande com seus parques. Ouve-se um grupo de bateria e na esquina seguinte há capoeira para ver.

Muitos trazem ao pescoço o seu cartão de participante no “Fórum Social Mundial”. Um jovem fala comigo com um sotaque do sul da Alemanha, que não consigo identificar. Ele vive com a sua namorada brasileira no lindo Recife. Leu na Internet o que reporta o junge Welt sobre o Brasil. Thumbs up. Ativistas dos direitos das mulheres decoram-se com fitas roxas, podem ver-se muitas bandeiras com martelo e foice do partido comunista PCdoB. Dos altifalantes no carro ouve-se: Vai ter luta, Fora Temer! Muitas pessoas irão chegando à medida que a marcha se inicia duas horas mais tarde.

No meio do ruidoso trem com danças e canções há vários repartidores. Entre outros, recebo um jornal marxista-leninista mais um abraço, convites para vários eventos no FSM, um folheto A6 que anuncia a apresentação de Lula no Estádio Pituaçu dia 15 de março, e outro para um evento do Partido Liberdade e Socialismo (PSoL) com os candidatos presidenciais Guilherme Boulos e Sónia Guajajara.

Um velho trabalhador de baixa estatura com rugas vincadas no seu rosto negro distribui folhetos com apelos da Federação dos Sindicatos CUT. Não quer falar muito. Mas ele sabe porque está aqui: “Porque sou contra esse Temer.” Só um pouco mais falador é um dos polícias militares que rondam por aqui e por ali, em redor do trem, segurando com firmeza os seus cassetetes. Sim, por aqui é tudo bem pacífico. Sem vandalismo, como acontece às vezes nesta cidade, enfatiza. Sim, esta marcha decorre feliz e calorosa. De onde vem você? E você? As fotos mostram três dos ativistas com quem falei ontem.

Tradução: Elisa Bogalheiro

Die deutsche Fassung des Beitrages finden Sie hier.


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